Mauro Calil (*)
No começo do ano, recebi um telefonema de um ex-aluno se queixando que sua carteira de ações, administrada por ele mesmo, rendeu somente 40% nos 12 meses de 2009, enquanto que o Ibovespa rendera cerca de 80% no mesmo período
Ao fazer a comparação pura e simples entre as rentabilidades, o mínimo que podemos dizer é que o rapaz não perdeu dinheiro, mas poderia ter ganhado mais. O mesmo aluno me ligou ao final de Agosto dizendo que, enquanto o Ibovespa caía, o clube do qual faz parte acumulara valorização de 10% no mesmo período.
Como sempre digo, a bolsa de valores deve fazer parte de um projeto de enriquecimento na vida e não de um momento isolado. Seria excesso de otimismo ou ausência de conservadorismo esperar outros 82% de rentabilidade para o Ibovespa em 2010. Porém, seria falta de realismo acreditar que a bolsa não será capaz de superar todas as demais alternativas de investimento no mercado financeiro em 2010 e nos próximos 10 anos, mesmo que, no período, tenhamos meses ou anos com rentabilidade negativa.
Uma nova década se iniciou em 2010 e temos mais escolhas, mais opções e mais alternativas do que nunca tivemos antes. Mas quem vai enriquecer nos próximos 10 anos? Quem buscar a resposta nos indicadores oficiais de consumo e renda verá que praticamente toda a população enriquecerá de 2010 a 2020. Não importa quais sejam os governantes do período em questão ou qual partido estará no poder, isto ocorrerá pois esse tipo de pesquisa mede a riqueza da população pelo aumento da renda e com base nos itens de instrução e consumo possuídos e encontrados no domicílio, como número de televisores, presença ou não de máquinas de lavar louça e secar roupas, número de carros na família, grau de instrução do chefe de família, etc.
Cada item encontrado soma pontos para alçar aquele domicílio a um degrau mais alto na escala social. Porém, com o crédito mais abundante e acessível (eu disse acessível, não barato), as pessoas terão a sensação de enriquecimento pessoal ao usarem o crédito para o consumo, enquanto que as pesquisas terão a "sensação" de enriquecimento populacional. E, muitas vezes, esquecerão de que indivíduos e populações passaram a ser mais endividados, sendo que muitos jamais sairão das dívidas.
Portanto, minha resposta é simples: enriquecerá quem receber mais juros e empobrecerá quem pagar mais juros. No meio do caminho, estarão os "remediados", que pagarão menos juros e trocarão os juros recebidos por sonhos passageiros de consumo. Enfim, é sempre bom refletir se você é gastador ou poupador, se empobrece ou enriquece, bem como qual será o destino dado às suas economias na próxima década. Roupas? Carros? Viagens? Caderneta de Poupança? Imóveis? Dólar? Ou ações de empresas brasileiras gigantescas e que crescem ano após ano? Desejo REALMENTE a Todos uma Década de Enriquecimento.
(*) - É professor e educador financeiro, fundador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil&Calil (www.calilecalil.com.br).
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